Síndrome Mão-Pé-Boca: como identificar

A síndrome mão-pé-boca é identificada por febre, feridas dolorosas na boca e bolinhas ou manchas vermelhas nas mãos, nos pés e às vezes no bumbum. É uma infecção viral contagiosa que costuma melhorar em cerca de uma semana; recusa de líquidos, pouca urina ou prostração exigem avaliação.

Síndrome Mão-Pé-Boca: Como Identificar e Cuidar do seu Filho*

Por Dra. Alana Zorzan, Pediatra CRM 52-122999-0 | RQE 57238

Olá, mamães, papais e cuidadores!

Aqui no consultório, em Botafogo, uma das queixas que mais geram preocupação, nos meses mais quentes é o aparecimento súbito de "bolinhas" e feridas na boca dos pequenos. Muitas vezes, o diagnóstico por trás desses sintomas é a Síndrome Mão-Pé-Boca (SMPB) - , uma doença viral bastante comum, especialmente em crianças menores de 5 anos que frequentam creches e escolinhas.

Sei que ver seu filho irritado, com febre e com lesões na pele pode ser assustador. Meu objetivo com este artigo é justamente desmistificar essa síndrome, para que vocês possam identificar os sinais, saber como agir e, principalmente, quando é hora de procurar ajuda médica. Vamos lá?*

O que é a Síndrome Mão-Pé-Boca?

A Síndrome Mão-Pé-Boca é uma infecção viral altamente contagiosa, causada principalmente por vírus da família Enterovirus, sendo o Coxsackie A16 o mais comum. Outras cepas, como o Enterovirus 71, também podem causar a doença e, em casos mais raros, estão associadas a quadros mais graves.

A doença é mais frequente na primavera e no verão, mas pode ocorrer durante todo o ano. Sua transmissão acontece com muita facilidade em ambientes coletivos, como escolas e creches, onde as crianças têm contato próximo.

Como identificar os sinais e sintomas da doença?

O nome da síndrome é bastante descritivo, mas os sintomas geralmente seguem uma ordem. É importante conheê-la para não confundir com outras doenças, como catapora ou sarampo.

1. A Fase Inicial (Pródromo):

Tudo geralmente começa de forma parecida com um resfriado comum. Nos primeiros 1 a 2 dias, os sintomas são inespecíficos:

  • Febre baixa a moderada (entre 38°C e 39°C).
  • Dor de garganta.
  • Irritabilidade, mal-estar geral.
  • Falta de apetite.

Nesta fase, é muito fácil confundir com qualquer outra virose infantil. A "pista" principal ainda não apareceu.

2. As Lesões na Boca (Enantema):

Após o período de febre, surgem as lesões que mais causam incômodo: as feridas na boca.

  • Aparência: São pequenas úlceras dolorosas, muito parecidas com aftas.
  • Localização: Aparecem principalmente na língua, no céu da boca (palato), na parte interna das bochechas e nas gengivas.
  • Principal consequência: A dor intensa pode fazer com que a criança recuse alimentos e, mais perigosamente, líquidos. A salivação excessiva também é comum, pois engolir se torna doloroso.

3. As Lesões na Pele (Exantema):

Pouco tempo após o surgimento das aftas na boca (ou simultaneamente a elas), aparecem as lesões características na pele.

  • Aparência: São pequenas manchas vermelhas que podem evoluir para bolinhas de conteúdo transparente (vesículas). Diferente da catapora, elas raramente coçam, mas podem ser dolorosas ao toque.
  • Localização clássica: Como o próprio nome diz, concentram-se nas palmas das mãos e nas plantas dos pés.
  • Outras áreas: É muito comum que as lesões também apareçam nas nádegas (região da fralda) e nos joelhos e cotovelos.
  • Evolução: Após alguns dias, as bolinhas secam e podem descamar levemente.

Como ocorre a transmissão do vírus?

O vírus é transmitido pelo contato direto entre as pessoas ou com objetos contaminados. Isso ocorre através de:

  • Secreções das vias respiratórias (gotículas de saliva, espirros e tosse).
  • Contato com o líquido das bolinhas da pele.
  • Fezes: O vírus pode ser eliminado nas fezes por várias semanas após a recuperação dos sintomas. Por isso, a higiene na troca de fraldas e a lavagem das mãos são cruciais.

Como cuidar do seu filho em casa e aliviar os sintomas?

Não existe um remédio específico para "matar" o vírus; o corpo precisa combatê-lo sozinho. O tratamento foca no alívio dos sintomas (suporte):

  • Hidratação é prioridade: Como a boca dói, a criança pode parar de beber água. Ofereça líquidos gelados (água, sucos naturais não ácidos, água de coco) em pequenas quantidades, mas com muita frequência.
  • Alimentação pastosa e fria: Evite alimentos quentes, salgados, ácidos (como laranja e limão) ou temperados, que "ardem" nas feridas. Sorvetes de fruta, iogurtes e gelatinas costumam ser bem aceitos.
  • Medicação: Analgésicos e antitérmicos comuns (conforme orientação do seu pediatra) ajudam a controlar a febre e a dor.
  • Repouso e Afastamento: A criança deve ficar em casa até que todas as bolinhas tenham secado e a febre tenha desaparecido (geralmente por 7 a 10 dias), para evitar o surto na escola.

Quando ligar o sinal de alerta e procurar um médico?

Embora a maioria dos casos seja benigna, procure atendimento médico imediato se notar:

  • Sinais de desidratação: Pouco xixi, boca muito seca, ausência de lágrimas ao chorar ou prostração excessiva.
  • Febre persistente: Febre alta que não cede com medicação ou que dura mais de 3 dias.
  • Sintomas neurológicos: Tremores, dificuldade para andar, vômitos em jato ou sonolência extrema/irritabilidade inconsolável.

Dica de Ouro: A lavagem frequente das mãos é a melhor arma contra a propagação!

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Referências bibliográficas