Hemangioma Infantil: o que é, quando tratar e como cuidar

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Aquela manchinha ou bolinha vermelha no bebê pode ser um hemangioma infantil. Entenda os tipos, os sinais de alerta e por que o tratamento precoce faz diferença.

Apareceu uma manchinha ou uma bolinha vermelha no seu bebê? Antes de pensar que é apenas uma "marquinha", vale conhecer o hemangioma infantil — a lesão vascular mais comum da infância e uma das que mais se beneficia do diagnóstico precoce.

O que é um hemangioma e como ele se diferencia de outras marcas vasculares?

As lesões vasculares se dividem em dois grandes grupos: os tumores vasculares, que ocorrem por proliferação das células que revestem os vasos (endotélio), e as malformações vasculares, que são erros da formação dos vasos durante a gestação (morfogênese). Os hemangiomas pertencem ao grupo dos tumores vasculares.

As malformações são classificadas conforme o vaso dominante: simples (capilares, venosas, arteriais ou linfáticas) ou combinadas, como as malformações arteriovenosas. Outra classificação leva em conta o fluxo de sangue, podendo ser de baixo fluxo ou de alto fluxo (arteriais e combinadas complexas).

Qual a diferença entre hemangioma congênito e hemangioma da infância?

O hemangioma congênito já está presente no nascimento: ele começa a se proliferar dentro do útero e, quando o bebê nasce, a lesão já está totalmente formada. É classificado pelo grau de involução:

  • RICH — involução rápida, até os 6 meses de vida.
  • PICH — involução parcial.
  • NICH — não sofre involução, mas também não cresce junto com a criança.

No hemangioma congênito não existe tratamento medicamentoso. Se a lesão crescer e não regredir, a conduta possível é cirúrgica.

Já o hemangioma da infância é o mais frequente e cresce nas primeiras semanas de vida. Ao nascer, pode não haver lesão alguma ou apenas uma área mais rosada; após 3 a 4 semanas, evolui para uma placa (lesão mais elevada). O crescimento é mais acelerado nos dois primeiros meses e vai ficando mais lento dos 8 aos 12 meses. A involução costuma acontecer só com o passar dos anos. Ele é classificado como superficial, profundo ou misto — sendo os mistos os mais prevalentes.

Quais exames confirmam o diagnóstico do hemangioma?

É necessário um exame de imagem: ultrassonografia com doppler, angiorressonância ou ressonância magnética com contraste. Na prática, a ultrassonografia com doppler já costuma definir a classificação da lesão.

Como o hemangioma é classificado quanto à extensão?

  • Localizado — até 5 lesões.
  • Segmentar — restrito a um segmento do corpo, como um membro.
  • Multifocal — múltiplas lesões pequenas, com maior chance de acometimento visceral. Nesse caso, é mandatório investigar outros órgãos.

Quais complicações o hemangioma pode causar?

A principal complicação é a ulceração, porque a lesão sangra e pode evoluir com infecção secundária. Também podem surgir telangiectasias, tecido fibroso residual e cicatrizes com repercussão estética.

Quando o hemangioma pode indicar uma síndrome associada?

Quando o hemangioma está na face, é preciso investigar a Síndrome de PHACES, que reúne hemangioma, anomalia da fossa posterior, anomalias cardíacas e alterações do esterno e da rafe supraumbilical.

Quando acomete a região genital, investiga-se a Síndrome de PELVIS, que pode cursar com malformação da genitália, ânus imperfurado, apêndices cutâneos, lipomielomeningocele e alterações renais.

Já os hemangiomas em nádegas levantam a suspeita da Síndrome Sacral, associada a disrafismo espinhal, anomalias anogenitais, renais, urológicas e cutâneas.

Quais hemangiomas exigem tratamento obrigatório?

Quanto mais precoce o diagnóstico e o início do tratamento, melhor o resultado final.

Os que mais exigem atenção são os localizados na "área da barba", pelo risco de extensão para a região subglótica, obstrução de via aérea ou estridor — nesses casos o tratamento é mandatório.

Também é mandatório tratar hemangiomas que causem desfiguração, principalmente em rosto, couro cabeludo e ponta do lábio (ou qualquer localização facial), além de lesões em pescoço, tronco ou extremidades maiores que 2 cm.

Qual é o tratamento de escolha para o hemangioma infantil?

O tratamento de escolha é o propranolol, na dose de 2 mg/kg/dia divididos de 12 em 12 horas. Inicia-se com dose mais baixa (0,5 a 1 mg/kg/dia), aumentando gradualmente a cada poucos dias até atingir a dose plena. A duração do tratamento é de 4 a 6 meses, com reavaliação a cada 4 a 8 semanas para ajuste de dose. O betabloqueador provoca vasoconstrição local, clareando a lesão e reduzindo o fator de crescimento.

Para hemangiomas superficiais em locais como membros e dorso, uma opção é o timolol colírio 0,5%, pingando 1 gota sobre a lesão 2 vezes ao dia.

O corticoide tópico não é mais indicado. O corticoide sistêmico fica reservado para a fase proliferativa quando não há resposta ao propranolol, podendo-se associar prednisolona 2–3 mg/kg/dia. Cirurgia e laser são opções mais tardias.

Importante: todas as doses citadas são referência clínica. A prescrição e o acompanhamento devem ser sempre individualizados pelo pediatra.

Como cuidar de um hemangioma ulcerado?

Nos casos de ulceração, a conduta envolve controle da infecção com antibióticos tópicos ou sistêmicos, controle da dor, curativos não aderentes (silicone ou espuma) e redução da dose do propranolol durante o período de ulceração, com aumento após a melhora.

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Qual a conclusão sobre o hemangioma infantil?

O hemangioma infantil é benigno na maioria dos casos e costuma regredir com o tempo. Porém, alguns podem crescer rapidamente, causar complicações ou deixar sequelas. Por isso, identificar, acompanhar e, quando necessário, tratar precocemente faz toda a diferença. Ao perceber uma lesão avermelhada crescendo no bebê, procure o pediatra para uma avaliação individualizada.

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Referências bibliográficas